segunda-feira, 29 de agosto de 2016

HAIDÊ E O SAPO ADVOGADO

Lá na beira da lagoa, Haidê passava o tempo.
Estava sozinha, de boa.
– Desculpe se te interrompo...
(Disse um sapo com voz mansa)
Posso fazer uma proposta? Tenho certeza que é justa, vai valer uma recompensa.

Espantada ela indaga:
– Um sapo falou comigo?!

– Mas é claro que eu falei! E tenho mais argumentos...

– Só que isso não é possível! Será que eu estou louca?!

– Pois confie que é bem crível. Você não está maluca.

– Desde quando ouvir bicho é normal? Eu que não acho!
Mesmo assim ficou atenta, matutando paciente.

– Calma linda, deixa disso! Não sou sapo, que besteira...
Isso foi uma macumbeira que me jogou um feitiço
Não lidou com a rejeição. E sobre o que eu falei
Uma oferta eu faço então, e lhe digo o que farei:
Volto a ser advogado. Homem lindo e abastado
E em troca só de um beijo, que com você eu me caso.

– Isso é maravilhoso! (No sorriso o regozijo)
Eu preciso de uma caixa...
E se não caiu a ficha, eu te digo “abestado”,
Ganharei bem mais dinheiro tendo um sapo falante
Do que com um advogado...  •

––  Vou recorrer...

sábado, 20 de agosto de 2016

ATÉ QUE ENFIM!

Finalmente pudemos ouvir o hino brasileiro ser tocado em uma premiação de futebol em Olimpíada. Agora, além de termos conquistado tudo no futebol, ainda somos os maiores medalhistas na modalidade, tendo conquistado a 6.ª medalha. Mas será que isso apaga os 7 X 1 sofridos na última Copa aqui em casa? Mas estou aqui pra falar de coisa boa... Hoje é festa!
Antes, porém, mas ainda falando de futebol, fiquei com uma dúvida... Responda-me se for capaz. Você sabe que o “cerumano” tem mania de aprender o que não presta, por conta disso, pegamos aquela mania ridícula de gritar “bicha!” quando o goleiro adversário chuta a bola, geralmente em cobrança de tiro de meta. Agora vem a pergunta de um milhão de dólares: Porque no futebol feminino as pessoas faziam isso? Eu fiquei tipo... Hã?
Enfim, voltemos ao assunto. Como você vê na imagem, tivemos um jogador a mais: O travessão. Foi ele quem fez o primeiro gol, na cobrança de falta do Neymar e ele defendeu duas bolas da Alemanha.
As más línguas dizem que o Brasil só quebrou o jejum porque Usain Bolt estava lá com seu “espírito de ouro”. Será?
Mas, porém, contudo e todavia, o sofrimento. O travessão Brasil fez o primeiro gol, mas depois de ter vacilado duas vezes, na terceira, aos 14 minutos do segundo tempo, a Alemanha, que já estava chutando muito mais no gol, não desperdiçou e descontou. O jogo foi pra prorrogação. As mãos suavam litros, o coração acelerado parecia que ia sair pela boca, as mandingas de sempre estavam presentes.
Até aquele momento, como o próprio narrador disse, “Ninguém estava com Jesus no coração”. Neymar, que havia apanhado tanto no último jogo (uma goleada de 6 X 0 em cima de Honduras), foi “poupado”. Dessa vez escolheram Gabriel Jesus, que saiu na prorrogação. Na premiação, Neymar estava usando uma faixa na cabeça com os dizeres: “100% Jesus”. Pra qual deles foi?
Voltando ao jogo, a prorrogação acabou e a partida foi decidida nos pênaltis. A penúltima cobrança, sob os olhares de 70 mil pessoas no Maracanã, Weverton, goleiro do Atlético Paranaense, pegou e já virou herói. Olha imagem aí do lado (aliás, eu rachei ao ver essa imagem...). O último pênalti ficou sob a responsabilidade de Neymar, capitão do time, que cobrou, fez o gol e já saiu chorando. Acabou a fila. O placar de 5 a 4 deixou gente chorando dos dois lados.

O homenageado da vez foi Prass, que foi cortado da seleção por conta de uma lesão no cotovelo direito. Agora, depois de tanta gente pegar no pé que não tínhamos essa medalha, para a próxima olimpíada, terão que falar outra coisa.  •

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A SAUDADE É UMA ESTRADA LONGA...

... que começa e não tem mais fim. Essa letra feita pelo exímio violeiro Almir Sater me arremete a um lugar que mais sinto falta em minha vida: A fazenda Campo Largo, que era de propriedade de meus avós. Dificilmente quando eu ouço este maravilhoso artista eu não me lembro de algo relacionado àquele lugar ou àquelas pessoas.
Noite passada mesmo, eu me lembrei de um momento. Uma foto, para ser mais específico. Infelizmente não consigo postá-la aqui, pois ela está na caixa de fotos de minha mãe. Quem sabe um dia. Mas a imagem abaixo consegue ilustrar mais ou menos o que quero dizer. De resto, trabalhe com sua mente.
Meus pais entrando na casa da tia de meu pai
Vamos lá. Em frente a uma das janelas ficava um pé de laranja. Era naquele quarto que meus pais ficavam. Eu me lembro muito bem de um dia fazer pose nele para tirar uma foto. Máquina fotográfica era luxo. Ainda era daquelas que se colocava filme, “batia” a foto e esperava até que o rolo acabasse (que podia ser de 12, 24 ou 36 poses) e mandava revelar rezando para que nenhuma delas queimasse. Hoje em dia é tudo mais fácil, né?
E lá estava eu. Um pé na árvore e outro na calçada – que é diferente dessas de rua. Ela é elevada e fica na frente da casa, que geralmente fica no alto. Igual à da casa da imagem acima – com meu pai tomando distância para registrar o momento. A combinação de calça jeans e chinelos Havaianas era algo que eu só usava lá. A camiseta era a preferida. Era branca, com a gola e as pontas dos braços avermelhadas com um número “86”. Não sei o motivo, mas sempre teve uma época em que eu me apegava a algumas camisetas. Acredito que ainda seja assim. O dia estava nublado. Um tanto comum, já que era verão. Nós viajávamos sempre no final ou no começo do ano. Eu devia ter uns seis ou sete anos.
Retrato tirado, provavelmente segui brincando. Não sei exatamente de quê ou com quem, mas me lembro exatamente do lugar. Na frente da casa, um enorme jardim que minha avó cuidava com todo gosto. Tinha planta de todo jeito – inclusive o próprio pé de laranjeira – e do outro lado do terreiro, havia um pé de saboneteira onde o carro de bois ficava estacionado. Ao lado dele, um enorme coqueiro jerivá. A imagem do Passat azul claro que meu pai tinha naquela época está registrada em alguma foto na já citada caixa da minha mãe. De um lado da casa, havia uma “Casa da roda”, onde se fazia farinha de mandioca. Na frente dele, um pouco mais distante, um chiqueiro de cabras. Do outro lado, um curral, que era usado ocasionalmente.
Mas das lembranças, as que mais gosto são as de ficar sentado na frente da casa olhando para a enorme vereda e as de conversar com meus avós. Minha avó apressada com os afazeres e lenço amarrado na cabeça e meu avô sentado na calçada no fim da tarde, contando as histórias do passado e preparando seu cigarro de palha.
É por isso que “Saudade” é uma das palavras mais presentes nas poesias de amor e nas músicas populares.  •

sexta-feira, 15 de julho de 2016

MAIS UMA DE DONA LENICE E SEU TÉRCIO

Já te contei sobre Dona Lenice e Seu Tércio, de quando eles estavam próximos a completar bodas de ouro. Desta vez, Seu Tércio estava sofrendo com uma dor de barriga terrível e por conta disso, seu humor já não estava dos melhores, afinal, um caso de constipação intestinal sempre é motivo para tirar qualquer um dos nervos, não é? Ainda mais ele, que já avançado na idade, não tinha paciência pra nada. O pior foi ter que encarar a saúde pública. Pegar fila e ser atendido às pressas.
 A consulta foi muito rápida, já que o médico de plantão estava impaciente por ter de atender muita gente. Depois de ouvir o que Seu Tércio sentia, o médico simplesmente gatafunhou uma receita e disse de modo apressado e firme:
– Está aqui – O doutor estendeu a mão entregando a receita – Amanhã o senhor irá evacuar tranquilamente. Quando sair, o senhor pode pedir para o próximo entrar, por favor.
Dona Lenice, que entrou com o marido, se levantou primeiro e pegando a receita da mão de Seu Tércio, já foi saindo. Minutos depois, antes mesmo de entrar na farmácia, ele disse à esposa:
Tenha paciência, homem!
– Anda depressa e compra logo essa porcaria de remédio que eu quero ir pra casa!
– Tenha calma, homem!
– Que calma, que nada! – Seu Tércio retrucou, continuando a queixa em voz baixa, murmurando palavras que não podiam ser compreendidas.
Vendo a agitação do marido, Dona Lenice mal falou com o balconista. Pegou logo a caixinha, e antes de pagar pelo remédio, Seu Tércio já estava do lado de fora. Em casa, assim que os dois entraram, Dona Lenice foi rapidamente até a cozinha e pegou um copo d’água. Seu Tércio, com o supositório na mão, franziu a testa e de modo espantado disse:
– Velha, olha só o tamanho desse comprimido! Isso não vai passar na minha goela não!
– Mas o doutor falou que vai melhorar. Bebe sem reclamar.
– Então parte em dois. De uma vez só não dá não...
Atendendo ao pedido do marido, Dona Lenice dividiu o supositório em dois e Seu Tércio os engoliu, reclamando do gosto ruim e da oleosidade. Pra tirar o ranço da boca, tomou tudo o que achou pela frente. No dia seguinte, ainda sofrendo com a constipação, Seu Tércio voltou ao consultório do médico decidido a reclamar tanto da falta de resultado, como do tamanho demasiado e do gosto ruim do tal remédio. Assim que ele entrou, antes que pudesse se queixar, o doutor – o mesmo, que ainda estava de plantão e com menos paciência que no dia anterior – nem deixou que ele falasse.
– Mas o senhor de novo? O supositório que eu lhe receitei não adiantou? Não é possível... – O médico lhe fez outra receita e entregou – Pois compre mais um. Dessa vez vai. Quando sair, mande o próximo entrar!
Demonstrando sua impaciência com gestos, Seu Tércio se levantou e saiu da sala. Não disse uma palavra sequer. Novamente passou apressadamente na farmácia, comprou o remédio e em casa o tomou da mesma forma e com a mesma dificuldade.
– Se essa desgraça desse remédio não funcionar, vou de novo naquele doutorzinho... Mas dessa vez ele vai ouvir! – Seu Tércio reclamou ainda fazendo careta pelo gosto do supositório na boca.

– Sei não... – Dona Lenice disse desconfiada – Acho melhor a gente não ir lá de novo naquele doutor não... Senão você já sabe aonde ele vai mandar você enfiar esse remédio...  •

sexta-feira, 8 de julho de 2016

SHAKESPEARE INSPIROU, MAS NÃO COMEU

Deu água na boca?
Anteriormente você já viu que pudim é uma de minhas especialidades, por isso resolvi fazer uma variação. Tudo começou num “Dia dos pais”. Querendo agradar o meu, resolvi fazer para a sobremesa do almoço especial algo que lhe agradasse. Sabendo de sua predileção por pudins, e por gostar do “Romeu e Julieta” tradicional – composto por queijo branco e goiabada – achei uma receita com essa sublime combinação. Com o tempo, fiz algumas alterações e hoje tenho minha própria versão. Antes de falar sobre isso, uma curiosidade. De onde surgiu esta sobremesa?
Falemos inicialmente sobre o nome de origem. “Romeo and Juliet”, tragédia escrita entre os anos de 1591 e 1595 por William Shakespeare – provavelmente no início da brilhante carreira do mais influente dramaturgo do mundo – fala sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo Capuletos e Montecchios, duas famílias rivais da cidade de Verona, que outrora estavam em pé de guerra.
Explicada esta parte, vamos para a associação do famigerado romance com a saborosa sobremesa. Tentei fazer uma pesquisa e não consegui determinar qual a origem deste vínculo. Alguns dizem que os búlgaros começaram a comer queijo com doce, e que a troca por goiabada – este sim, tipicamente brasileiro, surgido a partir da necessidade de conservar o fruto – acabou por ser algo natural. Já outros, dizem que sua origem se deu na época do Brasil colonial, especificamente para os lados de Minas Gerais.
Uma coisa que achei interessante, foi que em alguns lugares, vi que as pessoas associavam os dois ingredientes aos dois célebres personagens da seguinte maneira: O queijo salgado e a goiabada doce, díspares, tal qual eram as famílias rivais, tiveram em sua união algo sublime. A harmonia do salgado Romeu com a doce Julieta afrontou e derrotou o óbvio. E falando sobre a sobremesa, desta saborosa união surgiu uma variedade de doces, tortas, sorvetes e... Pudim!
Como falei, fiz algumas alterações na receita que vi originalmente. Quem já experimentou adorou e muita gente já me pediu a receita! Por isso, aqui está. Basta clicar aqui que eu te passo agora o passo-a-passo.

Forte abraço, beijo e até a próxima!  •